O Primeiro-ministro Luís Montenegro, na tradicional declaração ao Pais proferida recentemente, usou o exemplo do nosso jogador de futebol Cristiano Ronaldo, talvez o melhor do mundo, para desafiar os Portugueses a terem uma mentalidade vencedora em detrimento da mentalidade do “deixa andar”.
À data que escrevo esta coluna existe a possibilidade de os boletins de voto das próximas eleições presidenciais terem catorze nomes como candidatos, incluindo três cidadãos cujas candidaturas foram recusadas pelo tribunal constitucional. Segundo li, já não é a primeira vez que tal sucede, devendo-se esta inconformidade à necessidade de se cumprirem certos prazos para a impressão e envio dos boletins de voto.
Esta situação revela um nível de incompetência e de mediocridade, neste caso por parte do Estado, que não tem qualquer justificação. É contra este laxismo, falta de rigor e de exigência que o Primeiro-ministro, utilizando metáforas desportivas, se manifestou na declaração de Natal.
É indiscutível que “precisamos de ser mais eficientes e mais produtivos para atingirmos novos patamares de crescimento". Para isso é imprescindível que sejamos mais rigorosos nas nossas tarefas, mais exigentes enquanto sociedade, pois só dessa forma se atingem patamares de excelência, sempre que existam as condições naturais para tal.
Alguns Portugueses são exemplos mundiais de pessoas que pela sua capacidade, o seu esforço e dedicação, chegam ao topo durante as suas carreiras, seja no desporto, na ciência, na gestão ou nas artes.
Infelizmente, alguns cronistas usando a mentalidade da maledicência, outra característica abominável de parte da nossa população, veio decompor o Primeiro-ministro porque estava a usar como exemplo para o País alguém com valores errados, porque é amigo de Trump, porque é conivente com um regime eticamente questionável ou porque fugiu em tempos impostos. Outros comentadores encartados, vieram afirmar que o PM estava a mandar as pessoas emigrar pois só assim se chegaria ao topo.
O meu desejo para 2026 e para o nosso Futuro é que os Portugueses consigam realmente mudar a sua mentalidade e, sem abandonar a sua capacidade de improviso ou o seu relaxamento natural, que muitas vezes são positivos, comecem a ser mais rigorosos e principalmente a premiar o esforço e o mérito, sempre sem inveja nem calúnias.
Nestas eleições presidenciais, seja dia 18 de Janeiro seja na 2ª volta a 8 de Fevereiro, não deixem de votar. Em branco, nulo, ou naquele que cada um acredite que será o mais competente no desempenho dessa importante função que é ser o mais alto magistrado de uma nação quase a atingir nove séculos de história. Para além da simpatia, ideologia ou pensamento crítico, acho que devemos procurar quem deu provas de competência nos últimos anos, sem esquecer a necessidade de elegermos alguém com sentido de estado.
Votos de um excelente 2026 para todos.
Telmo Lopes
Presidente da concelhia do CDS-PP de Pombal
"Artigo que também pode ser lido na edição impressa em papel do mês de Janeiro de 2026"