A perda de audição normalmente inicia-se de forma gradual e por vezes é mais fácil detetarmos essa dificuldade nos outros do que em nós próprios. Os sintomas podem ser variados, como por exemplo: ouvir a televisão ou rádio muito altos, dificuldade frequente em perceber o que dizem, estar à mesa com a família e não conseguir acompanhar a conversa, responder sim ou abanando a cabeça quando muitas vezes não se percebe o que perguntaram, dificuldade em falar ao telefone, não perceber o que o senhor padre diz na missa, falar alto mesmo estando em sítios sem ruído ambiente, dificuldade em perceber em reuniões de trabalho, etc.
Estes são os principais sintomas da perda de auditiva, que mais facilmente conseguimos detetar em nós ou em quem nos rodeia. A contribuir para o aparecimento destes sintomas, estão principalmente a hereditariedade e a exposição a ruído excessivo existente em várias profissões. Em situações de lazer a exposição a ruído excessivo também é uma realidade que está presente quando ouvimos música com auscultadores, quando vamos a bares ou discotecas, festas e bailes.
A perda de audição pode afetar todos os nossos relacionamentos e por consequência pode também afetar a nossa maneira de estar. As pessoas que apresentam sintomas como os referidos, têm grande probabilidade de se tornarem pessoas desconfiadas mesmo que nunca o tenham sido. Na maioria das vezes estas pessoas são mal-interpretadas por não responderem rapidamente a alguma pergunta ou muitas vezes por nem sequer responderem. Estes comportamentos acabam por levar, mais tarde ou mais cedo, ao isolamento de quem sofre com a perda de audição. É muito comum em perdas de audição mais avançadas as pessoas viverem rodeadas por familiares ou vizinhos, mas estarem completamente isoladas, não tendo qualquer vontade de se relacionarem com ninguém precisamente por sentirem que não conseguem acompanhar as conversas.
Mas há boas notícias. Na maioria dos casos identificados existe solução para o problema. Se tem ou conhece alguém que tenha algum dos sintomas referidos, é importante procurar uma casa ou um médico especializado, de forma a avaliar o problema e ser-lhe recomendado o tratamento mais indicado. Nunca esquecendo que o tempo é um grande inimigo, quanto mais tarde procuramos ajuda, maior a probabilidade de a solução não ser tão eficaz.
Artigo publicado na edição de Maio do Jornal Notícias da Sua Terra.
Diogo Brilhante
Administrador de Centro Auditivo Pombal
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