Quando visitamos uma localidade ou região, em trabalho ou em lazer, uma das características que temos tendência a apreciar é a limpeza do local e a manutenção dos equipamentos, ruas, passeios, bancos e espaços públicos em geral. Há dias, quando fui ao aeroporto de Lisboa deixar um familiar, pude observar que a zona envolvente estava bem longe de estar apresentável .
Há alguns anos atrás quando fui a Maputo em trabalho, a limpeza e higiene urbanas, tal como era espectável, estavam longe de ser comparáveis ao bairro mais sujo que já tenha visitado nos subúrbios lisboetas. À semelhança de outras situações da vida, a nossa avaliação neste tema irá sempre depender da nossa expectativa e do grau de exigência que temos.
Para além de factores económicos, sociais e culturais, a limpeza de um local irá sempre depender do civismo das pessoas que o frequentam e pelo que vejo por aí, o nosso comportamento tem que melhorar drasticamente.
As autarquias Portuguesas têm responsabilidades bem definidas nesta matéria. Os Municípios devem zelar pela manutenção de jardins, limpeza urbana e proteção ambiental enquanto as Freguesias têm que assegurar a conservação de espaços verdes locais e pequenas obras de reparação urbana.
O cantoneiro, trabalhador encarregue da limpeza, conservação e manutenção de uma zona específica, designada por cantão — seja um troço de estrada ou uma área urbana, varre ruas, limpa sarjetas, remove ervas, esvazia caixotes do lixo, remove resíduos volumosos, limpa bermas e zela pela conservação da sinalização rodoviária .
A execução competente de todas estas tarefas terá consequências práticas na segurança rodoviária, ao garantir a visibilidade na circulação, no escoamento de águas, ao evitar potenciais inundações e ajuda na prevenção de incêndios ao reduzir o mato e a vegetação acumulada junto aos caminhos públicos.
A execução destes trabalhos feita com a periocidade previamente definida, é muito facilitada nos tempos que correm pela utilização de ferramentas e máquinas apropriadas para as funções.
No que se refere aos espaços verdes e às bermas a proibição de certos pesticidas e a restrição no uso dos glifosatos, dificulta o sucesso da tarefa mas não explica totalmente o estado de sujidade em que vemos algumas zonas do nosso concelho.
A dificuldade de contratação de pessoal próprio ou de empresas externas também é mencionada algumas vezes como justificação pelos nossos autarcas; mas será que não é possível fazer melhor?
Não é possível repensar melhor o urbanismo ou mesmo a construção de passeios em algumas zonas do concelho?
Não é possível substituir algumas das árvores colocadas na cidade, claramente inapropriadas para o efeito e que além de não serem autóctones possuem frutos pegajosos que deixam os passeios pegajosos e encardidos?
Não é possível optar pela plantação de alguma vegetação autóctone em algumas zonas que devidamente mantida faz a sua própria gestão sazonal?
Não é possível em algumas zonas colocar contentores para monos e outros detritos, aumentando em simultâneo a capacidade dos existentes, evitando que a falta de civismo tenha consequências tão gravosas?
Não é possível instituir nas nossas autarquias um sistema de avaliação de desempenho (SIADAP) que premeie e renumere os bons executantes?
Sejam quais forem as medidas a ser adoptadas, é urgente melhorar a limpeza e manutenção dos nossos espaços públicos, estradas incluídas, porque a gestão autárquica não é composta somente por obras novas e promessas de milhões.
Telmo Lopes, Presidente da Concelhia do CDS-PP de Pombal