Telmo Lopes "As escolas abandonadas"

OPINIÕES

No passado dia 29 fui até à aldeia dos Redondos para assistir  à Assembleia de Freguesia de Pombal, que se realiza de forma descentralizada três vezes por ano numa tentativa de aproximar os órgãos autárquicos aos cidadãos.

Na antiga escola primária, entregue à associação local há cerca de 10 anos, os eleitos locais cumpriram a agenda prevista e a população local, que encheu a sala, teve oportunidade de expressar as suas principais preocupações.

Há cerca de cinco anos decorreu a hasta pública para arrendamento de antigos edifícios escolares para fins de utilização turística (alojamento local), tendo sido adjudicadas para arrendamento nove das onze escolas a concurso, juntando-se a outras duas que tinham sido adjudicadas num concurso anterior.

Ao que sei, apenas um dos projectos previstos já abriu portas na localidade de Cavadas na freguesia do Louriçal, não sendo possível saber em que situação se encontram os restantes contratos. 
Por regra sou defensor que as escolas primárias antigas, que se foram esvaziando devido à concentração de meios em novos espaços, supostamente com melhores condições educativas mas onde muitas vezes faltam locais de brincadeira, que se mantenham nas mãos dos Municípios,  podendo as autarquias entregá-las a associações culturais ou desportivas para a utilização do espaço, ou aproveitar o edifício para outras dinâmicas como foi recentemente a instalação de duas creches no Grou e na Assanha da Paz. 

Mas o que fazer quando as escolas estão vazias e por isso  a degradarem-se, sem que exista uma utilização provável num futuro próximo, deixá-las ao abandono?
As antigas Escolas Primárias, representam muito mais do que um simples edifício,  representam a memória de muitas gerações e muitas vezes são, em conjunto com a capela,  as alminhas ou o lavadouro, símbolos da identidade de um lugar. 
Nessa medida, é fundamental que independentemente da utilidade que lhes seja dada, sejam mantidas e transformadas em algo com vida que permita às populações, que muitas vezes se sentem abandonadas, ter força para continuar a trilhar o seu percurso na história da humanidade.
É  imprescindível que a sociedade consiga conciliar modernidade com tradição, emprego com qualidade de vida e urbanismo com ruralidade. É essencial dar sentimento de pertença e de continuidade às populações e para isso não podemos ter tanto edifício abandonado principalmente os mais simbólicos. 
Parto do princípio que o actual poder autárquico não quer transformar o nosso concelho em mais uma urbe moderna e cosmopolita que em nada se distingue de outras por esse mundo fora.
Para isso conservar e manter a nossa identidade é fulcral!

Telmo Lopes
 

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